quarta-feira, 10 de junho de 2009

DE LAGARTA A BORBOLETA


Era uma vez... Uma lagarta envergonhada, Que pelo chão se rastejava, E todo mundo debochava: Que lagarta desengonçada, Feia e maltratada! Ninguém, dela, gostava, As pessoas, ela, assustava. Pobre Dona Lagarta... Muito triste ficou, E sentindo-se desprezada, Em um casulo se fechou. E assim... Passaram-se os dias, Ninguém, a sua falta, sentia, Até que em belo cenário, Enquanto o sol, a vida, aquecia, E a rosa, o jardim, floria, Em um galho pendurado, O casulo se abria. E uma linda borboleta, De asas bem coloridas, O casulo deixou, Alegrando nossa vida. E, todos viram o milagre, Que a natureza preparou, A feia e envergonhada lagarta, Na borboleta se transformou. Já não era desengonçada, Mas, linda e cheia de graça, E a todos superou. Pois, não mais se rastejava, Pelo contrário, voava, O céu, enfim, conquistou. autora do poema: (Vera Ribeiro Guedes)

segunda-feira, 8 de junho de 2009


Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer?
Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente. Eu já não sei o que faço. Não sinto nenhuma alegria além de ti.
Como pude cair assim nesse fundo poço? Quando foi que me desequilibrei? Não quero me afogar: Quero beber tua água. Não te negues, minha sede é clara.
( Extraído do livro Caio Fernando Abreu- Caio 3D, O Essencial da Década de 1980, p.186)




Tenho tentado voltar ... escutar o que não escutei, ver o que não vi, sentir o que não senti... cada instante , cada momento , cada ser que passou por mim , cada um com o seu cheiro, seu gosto , suas idéias ...
Nada fácil, recuperar na memória tudo que passou , não podemos voltar não somos como filmes que retrocedemos para ver novamente aquela cena, somos seres humanos em um palco que qualquer erro será visto e comentado e quantos erros cometemos? As vezes nem nós sabemos que aquilo é errado... passamos pela vida sem prestar atenção e muitas vezes erramos sem saber, e quando sabemos que é errado muitas vezes fingimos não estar fazendo aquilo ... engraçado se tudo em nossa vida não tivesse um depois ...
Fernanda

terça-feira, 2 de junho de 2009


"Devolve toda a tranqüilidade
Toda a felicidade
Que eu te dei e que perdi
Devolve todos os sonhos loucos
Que eu construí aos poucos
E te ofereci
Devolve, eu peço, por favor,
Aquele imenso amor
Que nos teus braços esqueci
Devolve, que eu te devolvo ainda
Esta saudade infinda
Que eu tenho de ti."
Mario Lago

terça-feira, 26 de maio de 2009

Signo de Peixes

Tenho uma inconstância insuportável, não aos outros mas a mim mesma!!!
Preciso de cor e de amor!!! De cheiro e de sabor!!!
Da luz e da escuridão!!!
Ser inconstante é assim, tudo ta bom, nada ta bom !!!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Linha Do Equador



Luz das estrelas
Laço do infinito
Gosto tanto dela assim
Rosa amarela
Voz de todo o grito
Gosto tanto dela assim
Esse imenso desmedido amor
Vai além do que for
Vai além de onde eu vou
Do que sou minha dor
Minha linha do equador
Esse imenso desmedido amor
Vai além de seja o que for
Passa mais além do céu de brasília
Traço do arquiteto
Gosto tanto dela assim
Gosto de filha
Música de preto
Gosto tanto dela assim
Essa desmesura de paixão
É loucura do coração
Minha foz do iguaçu
Pólo sul, meu azul
Luz do sentimento nu
Esse imenso desmedido amor
Vai além de seja o que for
Vai além de onde eu vou
Do que sou minha dor
Minha linha do equador
Mas é doce morrer nesse mar
De lembrar e nunca esquecer
Se eu tivesse mais alma pra dar
Eu daria, isso pra mim é viver

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mario Quintana


“Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar. Pois o meu verso tem essa quase imperceptível tremor… A vida é louca, o mundo é triste: vale a pena matar-se por isso? Nem por ninguém! Só se deve morrer de puro amor!”

terça-feira, 19 de maio de 2009

Acorrentados

Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.


Paulo Mendes Campos

Texto extraído do livro "O Anjo Bêbado", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 105.